Verminose
Na profilaxia das doenças parasitárias, são importantes a educação sanitária, o saneamento e a melhoria do estado nutricional. Apenas o tratamento das verminoses não é suficiente. Ele provocará pequena diminuição na sua incidência, mas as pessoas facilmente se reinfectarão, se continuarem a viver em meio propício à doença.
Esquistossomose (xistosa)
Ascaridíase (lombrigas ou bichas)
Taeníase (solitária)
Oxiuríase
Ancilostomíase (amarelão)
A esquistosssomose
ou xistosa é uma doença crônica, causada por um pequeno verme, o Shistosoma mansoni, que se instala nas veias do fígado e do intestino. Na última fase da doença, pode aparecer, em algumas pessoas, a ascite ou barriga d’água.
Nas condições de subvida causada pela esquistossomose, existem hoje no Brasil mais de oito milhões de pessoas. Essa legião de doentes ocupa extensas regiões brasileiras, desde o Maranhão até o norte do Paraná.
Para que surja a esquistossomose numa localidade, são necessárias várias condições: a primeira é a existência de caramujos que hospedam o Schistosoma mansoni. Nem todos servem para o parasita, só algumas espécies. Esses caramujos vivem em córregos, lagoas, valas de irrigação e canais onde haja segurança e boa alimentação. A temperatura média de muitas regiões do Brasil é favorável à proliferação de caramujos.
Transmissão
O Schistosoma mansoni ora vive livre, ora, protegido dentro de seus hospedeiros. Na primeira fase de sua vida livre, é um miracídio. Veio para o mundo exterior protegido por um ovo, que é então abandonado em contato com a água. Nada então apressadamente em busca de um caramujo. Tem apenas algumas horas de vida para encontrá-lo. Nesse hospedeiro sofre uma série de transformações, dividindo-se e multiplicando-se em centenas de milhares de cercárias, capazes de atacar e de infestar o homem. As cercárias abandonam o caramujo doente em busca de um animal de sangue quente e têm aproximadamente dois dias de vida livre. Nesse tempo, procuram atacar o homem, em cujo organismo poderão viver, acasalar-se e produzir ovos.
Como evitar
As populações têm lutado contra a esquistossomose, tentando cortar os elos da cadeia de transmissão. Hoje em dia, podem contar com os seguintes recursos:
Contra o caramujo:
. observar bem as águas usadas para tomar banho, pescar, nadar, lavar roupa, regar plantações etc., a fim de verificar se existe o caramujo;
. fazer tudo que prejudique o caramujo: pequenas obras de engenharia, de retificação de valas, canais, aterros de pequenas lagoas;
. criar nas águas seres vivos prejudiciais ao caramujo, sejam plantas, sejam animais, como patos e gansos;
. diminuir a poluição das águas nos meses que se seguem à estação chuvosa, quando as águas começam a diminuir e os caramujos a proliferar em grande quantidade;
. aplicar medicamentos químicos que exterminem, mesmo que temporariamente, os caramujos.
Contra o parasita Schistosoma mansoni:
. fazer exame de fezes ou outro exame de laboratório para verificar se a pessoa tem esquistossomose e proceder a um tratamento médico;
. repetir o exame quatro meses depois, para verificar se o tratamento foi eficiente e se não há ovos de Shistosoma nas fezes;
. construir privadas e fossas para que as fezes não sejam despejadas nas águas nem no solo dos quintais, forma segura de impedir que os ovos do Schistosoma alcancem os córregos e se transformem em miracídio;
. não se expor ao contato com águas infestadas;
. usar botas e luvas de borracha em regiões alagadiças, a fim de evitar contaminação pela cercária.
Ascaridíase (lombrigas ou bichas)
O Ascaris lumb comumente chamado de lombriga ou bicha, é um verme que vive no intestino das pessoas e causa uma doença chamada ascaridíase.
Transmissão
No intestino das pessoas, os vermes acasalam-se e as fêmeas põem ovos. Uma só pessoa pode ter até 600 lombrigas. Os ovos são expelidos com as fezes e, como são muito pequenos, só podem ser vistos através do microscópio. Quando as pessoas têm o hábito de defecar no chão, deixam milhares desses ovos misturados à terra.
No chão úmido e sombrio, os ovos das lombrigas podem durar de seis a dez anos, à espera de serem engolidos por uma pessoa. Num exame de microscópio, pode-se detectar a presença de ovos e lombrigas em um pouco de terra do quintal, na poeira da varredura da casa e em cascas de banana ou de goiaba.
As lombrigas, quando pouco numerosas, não causam tantos malefícios ao ser humano, porém, quando a infestação é grande, estes aumentam. Os vermes de 15 a 25 centímetros de comprimento e, em grande número, formam verdadeiros novelos, que entopem o intestino, causando sua obstrução. Podem também sair pela boca e nariz ou localizar-se na traquéia, ocasionando, muitas vezes, asfixia e morte, especialmente em crianças – são os chamados ataques de vermes.
É através da terra, da poeira, dos alimentos mal lavados e das mãos sujas que os ovos das lombrigas são levados à boca e engolidos. Depois de engolidos, os ovos rebentam, soltando larvas no intestino. Essas larvas, levadas pelo sangue, passam pelo fígado, coração, pulmões, brônquios, sendo novamente engolidas. Retornam ao intestino, onde se tornam adultas, para se acasalar e pôr ovos. No organismo humano, o ovo leva de 2,5 a 3 meses para se transformar em larva e depois em verme adulto. O verme adulto vive no intestino geralmente menos de seis meses, nunca mais de um ano.
Transmissão
As pessoas que têm lombrigas ficam freqüentemente irritadas, sem apetite e apresentam náuseas, vômitos, diarréia, cólicas e dor abdominal.
Tratamento
Para combater essa verminose, é preciso primeiramente fazer um exame de fezes: leve uma latinha com um pouco de fezes a um laboratório ou posto de saúde para análise. Muitas vezes, as mães sabem que os filhos têm lombrigas porque já viram os vermes saírem com as fezes ou pela boca. Mas, mesmo assim, é importante que se façam os exames: há diversos tipos de vermes e, para cada um deles, o tratamento é diferente. Com o resultado do exame de fezes, procure o médico, que lhe indicará o tratamento e as providências necessárias para acabar com as lombrigas.
Como evitar
. ter sempre uma privada ou fossa;
. fazer com que todos usem a privada. Se for usado penico, especialmente por crianças pequenas, jogar as fezes na privada;
. limpar e varrer os quintais e queimar e enterrar todo o lixo;
. lavar as mãos ao sair da privada e também antes das refeições ou merenda;
. proteger todos os alimentos contra moscas e poeira;
. proteger também os utensílios domésticos: talheres, copos, pratos, panelas etc. e principalmente os objetos de uso dos bebês, como bicos, mamadeiras e outros. Os alimentos e os objetos devem ser conservados cobertos ou dentro de armários;
. lavar todas as frutas e verduras antes de comê-las (alface, tomate, laranja, goiaba, manga etc.);
. cuidar da alimentação, principalmente das crianças, usando alimentos fortes, que ajudem seu crescimento e aumentem sua resistência às doenças.
Taeníase (solitária)
A solitária ou tênia é um verme muito comum em Minas Gerais, principalmente na zona rural, onde as pessoas se alimentam geralmente de carne de porco. O porco e o boi são transmissores da solitária.
Transmissão
A solitária vive no intestino das pessoas. Depois que se torna adulta, solta pedaços pequenos (anéis) cheios de ovos, que se juntam com as fezes. Se essas fezes são deixadas no chão, o porco e o boi, alimentando-se do capim, comem também as fezes com os ovos do verme.
Chegando-se ao estômago desses animais, os ovos se rompem, deles saindo as larvas, que vão para o intestino e, depois, para os músculos, onde se fixam, podendo viver até um ano. Essas larvas, denominadas de cisticercos, são mais conhecidas como “canjiquinhas”, “pipocas”, “letrias” etc.
Quando o animal é abatido e alguém come essa carne, crua ou mal cozida, passa a ser o portador da solitária. A larva vai crescer e se transformar num verme de alguns metros de comprimento.
Sintomas
A solitária é um verme grande, que pode atingir de 3 a 9 metros de comprimento. Como seu crescimento é constante, precisa de muito alimento para viver, o que enfraquece o paciente. O parasita do porco possui afinidade com o sistema nervoso central. A doença é denominada cisticercose e pode causar dor de cabeça e convulsão.
Como evitar
. não comer carne de porco que tenha “canjiquinha”;
. comer carne de boi ou de porco bem cozida ou bem assada;
. conservar sempre os porcos presos nos chiqueiros;
. utilizar privada ou fossa. Não deixar as fezes jogadas no chão.
O Enterobius vermiculares ou Oxiures vermiculares, também conhecido por saltão, tuchina ou verme da coceira, assemelha-se a um pequeno fio de linha.
Transmissão
Os vermes a
dultos vivem no intestino. Os machos têm vida curta e morrem depois de fecundar as fêmeas, sendo logo eliminados. As fêmeas produzem grande quantidade de ovos e caminham pelo intestino humano chegando até o ânus do doente, onde soltam ovos.
A pessoa portadora do Enterobius sente uma coceira muito forte no ânus, provocada pela descida dos vermes pela abertura anal. Isso acontece principalmente durante a noite: a pessoa se coça mesmo dormindo, espalhando os ovos, que ficam nas roupas, lençóis e, principalmente, entre seus dedos e debaixo das unhas. Essa pessoa se contamina, levando as mãos sujas à boca. Também contamina alimentos e utensílios domésticos transmitindo a verminose às pessoas que os utilizarem. As roupas dos indivíduos parasitados também são fontes de infestação, pois os ovos ficam agarrados a elas e podem depois chegar às mãos e à boca. O costume de sacudir os lençóis ao arrumar as camas pela manhã faz com que os ovos do Enterobius se espalhem, podendo ser aspirados no ar pelo nariz, levados, com a poeira, até os alimentos e finalmente engolidos. Os ovos resistem de 10 a 15 dias.
O que causa
As crianças são as mais atingidas e as que sofrem mais. A irritação produzida no ânus e região vizinha produz coceira intensa. Ao se coçar, a pessoa pode-se ferir e apresentar infecção local. Essa irritação produz muitas vezes sintomas nervosos. Como as fêmeas desses vermes preferem a noite para caminhar até o ânus, a fim de pôr ovos, as crianças dormem mal, o que as torna irritadas e nervosas. Nas mulheres, os vermes podem invadir os órgãos genitais, produzindo irritação e inflamação, muitas vezes graves.
A facilidade com que se transmite essa verminose faz com que ela seja muito comum em famílias numerosas, nas quais várias pessoas dormem juntas, especialmente as crianças. A transmissão ocorre mesmo nas famílias que têm bons hábitos de higiene.
Tratamento
Nos exames de fezes, é muito comum não aparecerem ovos desse verme. Portanto, a observação de uma pessoa da família pode auxiliar o médico no diagnóstico da verminose. Se a mãe nota que os filhos andam nervosos, irritados e se queixam de coceiras no ânus, deve contar ao médico, que, além de indicar o tratamento necessário, lhe dará explicações sobre o combate ao parasita.
Transmissão
Os parasitas (vermes) produzem ovos que são eliminados pelas fezes. Depois de alguns dias, os ovos se rompem, surgindo as larvas. Estas ficam no solo durante uma semana e são atraídas pela luz e pelo calor, que as fazem subir à superfície, onde se agarram às plantas, ao lixo etc.
Os quintais sombreados, cheios de bananeiras ou outras plantas, onde o lixo é amontoado próximo às plantações, às roças etc., são lugares propícios para esse verme. Em pessoas que andam descalças, as larvas penetram rapidamente através da pele. Atravessando a pele, as larvas caem no sangue e vão até o coração, pulmões, brônquios, estômago e intestinos. Durante essa migração, sofrem transformações até chegar a vermes adultos, cujos ovos são eliminados pelas fezes.
O que causa
Os vermes adultos cortam a mucosa intestinal e alimentam-se de sangue. Como têm hábito de mudar de lugar freqüentemente, produzem inúmeras feridas no intestino. Estas sangram, provocando anemia, magreza etc. A perda de sangue provoca a perda de grande quantidade de ferro, elemento indispensável para a saúde do homem. É por essa razão que crianças portadoras do amarelão têm o hábito de comer terra, buscando aí o ferro necessário ao organismo.
Os sintomas mais comuns apresentados pelos portadores de amarelão são: preguiça para o trabalho e estudos, cansaço, desânimo, prisão de ventre ou crise de diarréia, irritabilidade, mau humor, anemia, palidez, dor de cabeça, tosse, emagrecimento e dores musculares. Pessoas mal alimentadas são as mais prejudicadas pelos vermes.
Como tratar
Leve as fezes para exames de laboratório, para detectar ou não a presença de vermes. Em caso positivo, procure o médico para o tratamento necessário.
Como evitar
. andar sempre calçado;
. lavar as mãos, principalmente antes das refeições;
. fazer uso de privadas ou fossas;
. procurar o médico ou posto de saúde para submeter-se a exames.
Atenção: a melhoria do estado nutricional é importante no combate às parasitoses, já que a incidência e os sintomas da doença são menores em indivíduos bem nutridos.







