Plano Diretor Esgoto
ESTUDOS EXISTENTES
Os estudos existentes de interesse para o Plano Diretor de esgotos sanitários de Pirapora são:
·Plano Diretor do Sistema de Abastecimento de Água - Engenheiro Fernando Mourão;
·Projeto de rede coletora de esgotos, elaborado pela Fundação SESP;
·Projeto de parte do Sistema de Esgotos Sanitários - Programa PROSEGE / TECMINAS
A rede coletora existente em Pirapora foi implantada em conformidade com o projeto da Fundação SESP. A estação elevatória final teve suas obras iniciadas mas as mesmas foram paralisadas.
A estação elevatória do bairro Bom Jesus do projeto apresentado no PROSEGE foi iniciada com base nos projetos da TECMINAS, mas também não foi terminada.
Desta forma, as áreas beneficiadas com rede coletora, ou seja, parte do bairro Santo Antônio e o Centro ainda não contam com ligações de esgotos.
Os esgotos domésticos de Pirapora continuam sendo lançados em fossas sépticas ou clandestinamente nos córregos que cortam a área urbana, sem qualquer tipo de tratamento. A falta de recursos financeiros tem sido o empecilho maior para a implantação do sistema completo de esgotos da área urbana.
ELEMENTOS E PARÂMETROS PARA O PROJETO
ASPECTOS URBANÍSTICOS
A cidade possui 20 bairros e as ruas são em xadrez regular. O comércio varejista e atacadista e os setores de prestação de serviços são concentrados, de forma significativa, na área central.
A cidade apresenta grandes vazios urbanos, lotes vagos e loteamentos disponíveis para todas as faixas de renda que, se adensados, comportam grande contigente populacional. A região central possui lotes pequenos e, conforme citado, apresenta característica predominantemente comercial.
Esta disponibilidade de áreas e a taxa de ocupação do código de obras da Prefeitura, tem limitado a verticalização das construções na cidade.
ÁREA DE PROJETO
Para a delimitação da área de Projeto foram adotadas as seguintes diretrizes:
– Atualização da área atualmente ocupada, ilustrando na planta base da cidade todos os loteamentos aprovados na Prefeitura.
– Análise da proposta de perímetro urbano constante do Plano Diretor de Urbanismo.
– Delimitação de uma área quantitativamente compatível com a população de Projeto prevista para o alcance do Plano Diretor.
– Verificação "in loco" das tendências de crescimento da cidade, observando-se inclusive as limitações físicas e geográficas.
A partir destas diretrizes, foi proposto o limite da área de projeto, abrangendo 2.263 ha.
O Distrito Industrial não será contemplado no Plano Diretor, por se constituir em um sistema independente.
DENSIDADES DEMOGRÁFICAS
Densidades Atuais
A distribuição espacial da população na área de projeto é de fundamental importância para a determinação das vazões de dimensionamento.
Para uma boa referência inicial, procurou-se determinar as densidades atuais com bastante rigor, utilizando-se a seguinte metodologia:
– análise da planta semi-cadastral escala 1:2000, delimitando-se as áreas homogêneas em termos de adensamento;
– distribuição atual da população com base no número de economias de água, utilizando as rotas e setores comerciais de micromedição do Sistema de Abastecimento de Água;
– lançamento na planta da cidade das diversas áreas com respectivas densidades, agrupando-se os resultados próximos, obtendo-se menor número de áreas homogêneas.
Desta análise, constata-se que a cidade de Pirapora apresenta densidades demográficas relativamente baixas, inclusive na região central onde predomina a ocupação comercial.
Densidades Propostas
As futuras densidades demográficas para a cidade foram propostas admitindo-se que o tipo de ocupação hoje predominante deve continuar ocorrendo.
Segundo informações, a Prefeitura deve atuar no sentido de incentivar a ocupação dos vazios urbanos hoje existentes.
A proposta de setorização demográfica para o final de plano, foi feita a partir de uma avaliação no local das tendências de crescimento, propondo-se uma ocupação dos espaços vazios próximos às áreas atualmente ocupadas, homogeneizando as manchas urbanas atuais, estendendo-as para as áreas de provável expansão.
Os resultados das densidades atual e futura na área proposta para o Plano Diretor estão apresentadas no quadro 3.1 a seguir.
A distribuição espacial da população está ilustrada também no desenho 3.1.
Além da densidade de fim de plano, foi avaliada uma possível densidade de saturação relativa, que viabilizasse a implantação de rede coletora nas áreas atualmente rarefeitas. Para estas áreas adotou-se um valor de 50hab/ha.
AVALIAÇÃO DAS DENSIDADES DEMOGRÁFICAS
QUOTA “PER CAPITA”
Quota "Per Capita" atual
Em qualquer aglomerado urbano, planejado ou em desenvolvimento expontâneo, a presença de pequenas indústrias, serviços, comércios e prédios públicos é disseminada por toda a área, em intensidade variável que depende das características locais.
Desta forma, o consumo de água "per capita" total de uma comunidade urbana deverá ser acrescido de parcelas correspondentes aos consumos comercial, público e industrial.
Com base neste princípio e visando conhecer os consumos distribuídos na cidade, foi feita uma avaliação de consumos atuais em Pirapora, a partir dos dados obtidos na listagem dos usuários no período de Dez/96 a Maio/97
A cidade está dividida em 12 zonas de leitura/faturamento, identificadas pelas letras A, B, C, D, E, FP, FI, FS, H, I, J e K.
A partir destes dados foram gerados os quadros 3.2, que apresentam, por zona, o número de economias e a somatória dos consumos por tipo de economia.
Com os dados de consumo e de economias das quadros 3.2 foi possível obter a quota "per capita", dividindo-se o volume total consumido pelo número de economias residenciais e pela relação de 4,08 hab./economia.
Os resultados obtidos mostram que os valores da quota "per capita" variam para cada mês analisado. A maior variação acontece no mês de fevereiro, coincidentemente com o período das festas carnavalescas. Assim, conclui-se que a população flutuante na cidade é significativa, ocupando de forma disseminada a área urbana e não só os hotéis.
Partindo do pressuposto que o consumo “per capita” desta população é o mesmo da população residente, foi possível identificar a relação hab./economia em fevereiro, bem como o valor desta população, conforme mostrado no quadro 3.3.
Quotas “Per-Capita” Propostas
A metodologia de cálculo do consumo “per capita” de água utilizou os volumes medidos pelo SAAE, portanto as perdas físicas foram excluídas.
As quotas “per-capita” para final de plano foram propostas em função das quotas atuais e das condições econômicas da população .
Os valores obtidos foram grupados conforme mostrado no quadro 3.5, resultando em quatro valores distintos:
– Quota “per-capita” de 97 a 106 l/habxdia: ajustada para o valor de 100 l/habxdia. Constata-se que este valor corresponde ao consumo da população da faixa de renda baixa.
– Quota “per-capita” de 124 a 131 l/habxdia: ajustada para o valor de 130 l/habxdia. Constata-se que este valor corresponde ao consumo da população da faixa de renda média baixa.
– Quota “per-capita” de 141 a 150 l/habxdia: ajustada para o valor de 150 l/habxdia. Constata-se que este valor corresponde ao consumo da população da faixa de renda média.
– Quota “per-capita” de 196 a 198 l/habxdia: ajustada para o valor de 200 l/habxdia. Constata-se que este valor corresponde ao consumo da população da faixa de renda alta.
Para atendimento da população flutuante, as quotas “per-capita” adotadas foram 150, 180, 190 e 260 l/hab.xdia, correspondentes aos mesmos locais e população já descritos
SUB-BACIAS CONTRIBUINTES
Delimitação das Sub-bacias
A delimitação das sub-bacias contribuintes em Pirapora foi feita utilizando-se o levantamento Aerofotogramétrico‚ escala 1:2000, o projeto da rede coletora de esgotos elaborado pela Fundação SESP e o projeto da TECMINAS Engenharia.
A bacia principal da cidade é a do Rio São Francisco. O Rio cruza a cidade no sentido Norte/Sul e drena a maior parte do perímetro urbano. Algumas das sub-bacias contribuem para talvegues, que são afluentes do Rio São Francisco fora do perímetro urbano.
Na área urbana do município não existem formações de relevo que indiquem talvegues com características de fundos de vales. A drenagem da área para o Rio São Francisco é difusa na maior parte das contribuições.
Assim, a caracterização das sub-bacias de esgotamento se deu levando-se em conta os divisores naturais, limites físicos como a estrada de ferro, bem como o plano de escoamento da rede coletora, que possibilitou antecipadamente limitar as sub-bacias em função da profundidade desejada para a rede coletora.
Com base nestas condições foram identificadas 9 sub-bacias descritas a seguir:
Sub-bacia 1: Esta sub-bacia compreende a área central da cidade que já tinha sido estabelecida nos projetos anteriores, inclusive com grande parte da rede coletora implantada (20Km). Os limites desta sub-bacia com a sub-bacia 4 foram definidos de tal sorte que os esgotos dos bairros Vila Branca, Conjunto Veredas e Santos Dumont, são interceptados por uma rede tronco e conduzidos por gravidade até a Estação de Tratamento.
Sub-bacia 2: Compreende a área dos bairros Bom Jesus e Barreiro. A definição desta sub-bacia foi feita a fim de reduzir a profundidade da rede tronco da sub-bacia 1.
Sub-bacia 3: Corresponde ao bairro Sagrada Família, cujo ponto de concentração ficará junto à BR-365. A reversão dos esgotos será feita para a sub-bacia 2.
Sub-bacia 4: Esta sub-bacia compreende a porção da área urbana de cotas intermediárias, cujo limite inferior é a rede tronco que separará fisicamente esta sub-bacia da sub-bacia 1. Esta linha permitirá que os esgotos desta sub-bacia sejam enviados até a ETE por gravidade.
Sub-bacia 5: Corresponde à área urbana ao longo do ramal ferroviário. Com base no plano de escoamento foram identificados três pontos de concentração, configurando-se assim as sub-bacias 5.1, 5.2 e 5.3 que poderiam ser reunidas por gravidade em um único ponto, porém fora da parte urbanizada, atualmente área rural. Em vista disto, optou-se por manter as concentrações em pontos distintos com reversão para a sub-bacia 4.
Sub-bacia 6: Representa uma pequena área confinada nos limites das sub-bacias 4 e 8, com esgotamento possível somente através de bombeamento.
Sub-bacia 7: Compreende a área localizada entre a Avenida João Cota Sobrinho e a lagoa, ainda não urbanizada, cuja reversão foi prevista para a sub-bacia 4.
Sub-bacia 8: Esta sub-bacia corresponde ao bairro Nova Pirapora, Casas Populares e parte do bairro Cinquentenário. A rigor é um prolongamento da sub-bacia 4, porém em função da profundidade da rede coletora, optou-se também por considerá-la uma nova sub-bacia com lançamento no interceptor principal mais a jusante, utilizando-se para isto uma rua interna ao DI.
Sub-bacia 9: De todas as sub-bacias esta é a única que realmente tem o escoamento natural direcionado para fora da área urbana. Corresponde ao bairro São Geraldo.
CONTRIBUIÇÕES SETORIZADAS
As contribuições setorizadas foram calculadas ao longo da rede tronco. Os pontos escolhidos foram os de concentração significativa, obedecendo-se ao plano de escoamento da rede coletora. Para a determinação das contribuições nos diversos pontos, foi determinada a área contribuinte. Com a superposição desta área com os demais parâmetros setorizados (População e quota “per-capita”) foram determinadas as vazões contribuintes.
QUADRO RESUMO – VAZÃO E POPULAÇÃO POR BACIA
QUADRO RESUMO – VAZÃO E POPULAÇÃO POR BACIA
DESENHO – BACIAS CONTRIBUINTES
CONTRIBUIÇÕES INDUSTRIAIS
O Distrito Industrial de Pirapora não está contemplado na área de projeto.
As pequenas indústrias disseminadas na área urbana, tiveram a previsão de sua contribuição diluída na "quota per-capita" e não existe contribuição significativa que mereça registro de interesse para o presente trabalho.
ESTUDO DOS CORPOS RECEPTORES
O corpo receptor dos esgotos de Pirapora é o Rio São Francisco. De conformidade com os registros da estação de medição de Pirapora são listadas as vazões medidas:
Vazão máxima: 5.320 m3/s
Vazão média: 740 m3/s
Vazão mínima: 65 m3/s
A jusante da cidade há uma captação da COPASA para abastecimento do Distrito industrial.
O Rio São Francisco nas suas condições atuais pode ser enquadrado na Classe 2, com usos múltiplos de suas águas para os seguintes fins:
– Abastecimento doméstico, após tratamento convencional;
– Recreação de contato primário (natação, mergulho etc);
– Irrigação de hortaliças e plantas frutíferas;
– Criação natural e intensiva (aquicultura) de espécies destinadas `a alimentação humana.
Estes usos constam da Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente de 1º de junho de 1986, bem como estão estabelecidos na Deliberação Normativa n.º010/86 da COPAM – Comissão de Política Ambiental.
Para esta Classe, o Artigo 5º da Deliberação Normativa acima mencionada estabelece os seguintes limites e ou condições para as águas:
– Materiais flutuantes, inclusive espumas não naturais: virtualmente ausentes;
– Óleos e graxas: virtualmente ausentes;
– Substâncias que comuniquem gosto ou odor: virtualmente ausentes;
– Corantes artificiais: não será permitida a presença de corantes que não sejam removidos por processo de coagulação, decantação e filtração convencionais;
– Coliformes considerando o contato primário e a água considerada satisfatória:
coliformes totais 1.000coli/100ml
coliformes fecais 5.000coli/100ml
– Cor: até 75mg Pt/l;
– Turbidez: até 100UNT;
– DBO5 dias a 20º C: até 5 mg/l de O2;
– OD em qualquer amostra: não inferior a 5mg/l;
– pH: 6,0 a 9,0
Os efluentes de qualquer fonte poluidora somente poderão ser lançados direta ou indiretamente nos corpos de água, desde que obedeçam às seguintes condições:
– Materiais flutuantes: virtualmente ausentes;
– Óleos minerais: até 20mg/l;
– Óleos vegetais e gorduras animais: até 50mg/l;
– DBO5 dias a 20º C: até 60 mg/l de O2. Este limite poderá ser ultrapassado no coso do sistema de tratamento reduzir a carga poluidora do efluente em termos de DBO em no mínimo de 85%;
– pH: 6,5 a 8,5 com tolerância de +/- 0,5;
– Regime de lançamento: vazão máxima de até 1,5 vezes a vazão média diária no período da atividade;
– Sólidos em suspensão: concentração máxima diária de 100mg/l.
GRAU DE TRATAMENTO
O quadro apresentado a seguir mostra as características básicas dos esgotos da cidade de Pirapora:
| Características | 1ª etapa | 2ª Etapa |
| População atendida (hab) | 29.500 | 61.500 |
| Vazão média de esgotos (l/s) | 38,71 | 81,41 |
| Vazão de infiltração (l/s) (50% total) | 18,27 | 47,20 |
| Vazão média total (l/s) | 56,98 | 128,61 |
| Vazão máxima diária (l/s) | 64,72 | 144,89 |
| Coliformes total (em 100ml) | 8,9x107 | 8,0x107 |
| Coliformes fecais (em 100ml) | 1,8x107 | 1,6x107 |
| DBO5 (mg/l) | 323,6 | 298,9 |
A concentração de coliformes na mistura, com base na vazão média do rio, resulta nos seguintes valores.
1ª. etapa
Coli total / 100 ml (NMP)............................ 9.229
Coli fecal /100 ml (NMP)............................. 1.846
2ª. etapa
Coli total / 100 ml (NMP)........................... 19.235
Coli fecal /100 ml (NMP)............................. 3.848
Pelas características do corpo receptor, o lançamento dos esgotos in-natura precedido de tratamento preliminar, atende em princípio a Deliberação Normativa 010/86 quanto à mistura água/esgoto.
No que diz respeito ao número de coliformes na mistura o valor ficará acima do permitido pela D.N. 010/86, exigindo uma redução de 50% e 75% respectivamente em 1ª. e 2ª. etapa.
Em termos de DBO5, a eficiência necessária será de pelo menos 81%, o que resulta um esgoto com DBO5 igual a 60mg/l.
Para atendimento da dupla exigência será previsto a implantação de reatores (efic. de 60%) e lagoas facultativas (efic. de 75%), cuja eficiência total será de 90%, resultando numa DBO5 igual a 32mg/l.
A eficiência esperada nas lagoas facultativas para remoção de coliforme, será de 97%, ou seja, os valores de lançamento em 2a. etapa serão:
Coli total/100 ml............................................. 577
Coli fecal/100 ml............................................ 115
ALTERNATIVAS DE CONCEPÇÃO
ALTERNATIVAS DE ESGOTAMENTO
As alternativas de esgotamento compreendem as possíveis soluções para a localização dos interceptores, redes tronco e áreas destinadas à implantação das ETEs, sem entretanto definir, nesta fase, o tipo de tratamento a ser adotado .
Na indicação destas alternativas, tem importância significativa a possibilidade de construção dos interceptores. A existência de Avenidas Sanitárias que possibilitem esta construção, de forma menos onerosa e com um traçado compatibilizado com a futura via, é fator preponderante.
Considerou-se também na formulação das alternativas, a preocupação em se procurar opções que viabilizassem o SAAE a iniciar o tratamento dos esgotos de Pirapora o mais rapidamente possível.
Tendo em vista os dois aspectos, importância do início de intervenção do SAAE no sentido de tratar os esgotos e da importância da análise de implantação do sistema modulado, ou seja, evitando-se a construção de interceptores com grande extensão, é que foram formuladas duas alternativas para localização das unidades de tratamento, descritas a seguir:
– Alternativa I
Sistema unificado, com tratamento de todo o esgoto na ETE localizada a jusante da cidade.
– Alternativa II
O sistema proposto seria constituído de três ETE’s, sendo uma a jusante da cidade (Alternativa I) - subsistema São Francisco e as outras duas localizadas nas sub-bacias 5 e 9, com lançamentos em afluentes do Rio São Francisco.
ALTERNATIVAS DE TRATAMENTO
Conforme foi descrito anteriormente, para lançamento no Rio São Francisco, os esgotos devem ser tratados a nível secundário, onde a diluição garante uma concentração de coliformes na mistura admissível para Classe 2.
O processo de tratamento se torna premente para o início da operação do sistema de esgotos na cidade, colocando em funcionamento a rede já implantada.
Na indicação dos prováveis tipos de tratamentos dos esgotos de Pirapora, foi considerado que o tratamento secundário a ser atingido pode ser precedido por uma etapa apenas com tratamento primário, com menores investimentos que facilitem a viabilização de recursos por parte do SAAE.
Pelo porte das vazões e pelas áreas disponíveis, foi proposto:
– Implantação de Reatores Anaeróbios de Fluxo Ascendente (RAFA)
Estas unidades apresentam a vantagem de ocuparem pequenas áreas e serem de fácil operação por não terem equipamentos mecânicos.
Trata-se de uma modalidade de tratamento cuja eficiência pode chegar a 60% em termos de remoção de DBO. Além disso possui baixo custo de investimento inicial, fácil operação e utilização consolidada, principalmente no Estado do Paraná.
– Lagoas facultativas tratando o efluente dos reatores, consolidando a etapa final do tratamento
Esta segunda fase do tratamento garantirá mais uma redução de 75% em termos de DBO.
A associação das duas unidades garantirá ao efluente uma eficiência conjunta de 90%.
Esta modalidade de sistema é de simples operação não contando com equipamentos eletromecânicos.
O tratamento secundário em lodos ativados ou filtros biológicos não apresenta, vantagens técnico-econômicos e operacionais, devido a existência de área disponível a baixo custo. Os custos de implantação de tratamento de esgotos a nível secundário são em média:
·Lagoa facultativa..................... R$ 15 a U$ 20 / hab.
·Lodos ativados....................... R$ 30 a R$ 40 / hab.
·Filtros biológicos.................... R$ 40 / hab.
Para lançamentos nos talvegues secundários, afluentes do Rio São Francisco, onde a vazão de esgotos equivale a vazão mínima do curso d’água, o tratamento deverá ser a nível terciário. Assim, o sistema deverá ser complementado com lagoas de maturação para polir o efluente final, onde a eficiência na remoção de coliformes deverá ser próxima de 100%.
SOLUÇÃO PARA AS SUB-BACIAS COM BAIXAS DENSIDADES
Essas sub-bacias situam-se em áreas de expansão da cidade, onde sua unificação exigiria a construção de interceptores e estações elevatórias, cujos investimentos não se justificam pela baixa densidade demográfica atual.
Nestas áreas, no decorrer do alcance do Plano, poderão surgir conjuntos habitacionais ou mesmo ocupações expontâneas de modo a justificar a implantação de sub-sistemas de coleta, afastamento e disposição final dos esgotos.
Mesmo não sendo viável antes de um adensamento médio de no mínimo 40 hab/ha, o presente Plano Diretor previu atendimento em 2ª. etapa destas áreas.
Assim, em 1ª. etapa o atendimento deve ser feito através do sistema estático com fossas sépticas e sumidouros individuais para cada residência.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conforme descrito nos ítens anteriores, o lançamento direto dos esgotos no Rio São Francisco exige o tratamento a nível secundário. Para lançamentos nas cabeceiras dos pequenos afluentes, o tratamento deverá ser a nível terciário, para polimento do efluente final.
Por outro lado a unificação e reversão dos esgotos para o Rio São Francisco a jusante da área urbana exigirá a implantação de Estações Elevatórias.
Considerando estas hipóteses e considerando ainda que o impacto negativo do lançamento dos esgotos, mesmo após tratados a nível terciário, será maior nos pequenos cursos d'água, optou-se no presente Plano Diretor por adotar-se um sistema unificado, com a estação de tratamento a jusante da cidade em local pré-estabelecido pelo SAAE de Pirapora.
PRÉ - DIMENSIONAMENTO
CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO SISTEMA
A Alternativa I prevê a unificação de todos os efluentes a jusante da cidade. A área abrangida, as populações e as vazões do sistema unificado são apresentados nas planilhas a seguir.
O sistema de esgotos sanitários será composto por oito estações elevatórias, que conforme descrito anteriormente, se justificam pela impossibilidade da construção dos interceptores pela descontinuidade da urbanização da cidade e pela pouca declividade das vias.
SISTEMA DE COLETA
O sistema de coleta será constituído pela rede coletora secundária com diâmetro mínimo de 150mm e a rede tronco.
O pré-dimensionamento foi elaborado para rede tronco, mas a delimitação das áreas de influência da rede coletora garantirá que a vazão a ser veiculada seja compatível com o diâmetro de 150mm previsto.
Nos pré-dimensionamentos do sistema de coleta foram consideradas as condições de funcionamento, um com base na população do ano de 2020 e outro com base na população de saturação, limitando a lâmina a 75% do diâmetro.
A população flutuante em ambas as situações foi admitida como sobrecarga do sistema. Assim, foi verificado o funcionamento da rede com esta vazão, permitindo lâmina acima de 75%, sem contudo colocar o tubo em carga.
As planilhas de pré-dimensionamento e de verificação da sobrecarga são apresentadas em anexo.
Conforme mostrado nos cálculos, a diferença do ano 2020 e a saturação não é significativa, no máximo um diâmetro comercial superior. Para embasar a solução proposta, é apresentado um resumo do custo da implantação da rede tronco das sub-bacias 1 e 4 nas duas situações. Na análise foi considerado o preço do fornecimento e assentamento dos tubos, tendo em vista que são redes com profundidades parecidas.
ESTAÇÕES ELEVATÓRIAS DE REVERSÃO
O sistema compreende 8 estações elevatórias de reversão conforme mostrado a seguir:
1: reversão para sub-bacia 4
2: reversão para sub-bacia 1
3: reversão para sub-bacia 2
4: reversão para sub-bacia 4
5: reversão para sub-bacia 4
6: reversão para sub-bacia 4
7: reversão para sub-bacia 4
8: reversão para sub-bacia 4
9: reversão para sub-bacia 8
As estações elevatórias serão do tipo poço úmido, equipadas de conjuntos submersos.
O pré-dimensionamento das mesmas é mostrado nas planilhas em anexo.
Para as estações elevatórias, o dimensionamento foi elaborado com base na vazão do ano 2020 e as condições de funcionamento verificadas para a situação de sobrecarga da população flutuante.
A verificação das condições de funcionamento mostrou que as elevatórias EE2, EE3, EE4, EE5, EE6, EE7, EE8 e EE9 são capazes de atender a sobrecarga da população flutuante.
Para a EE1 que já conta com uma linha de recalque implantada DN180 foi feita uma avaliação diferenciada, ou seja, em 2a. etapa deverá ser implantada mais uma linha de recalque. Assim, pelos cálculos elaborados, o diâmetro existente nas condições propostas é capaz de veicular uma vazão de 27,0 l/s compatível com a vazão do sistema em início de operação.
SISTEMA DE TRATAMENTO
O sistema de tratamento será constituído das unidades de reatores anaeróbios e lagoas facultativas, sendo que estas deverão ser implantadas em 2a. etapa (a partir do ano 2003).
Em função das estruturas de entrada, saída e retirada do lodo, os reatores foram modulados em unidades para 7500 hab.
O número de unidades será:
·1ª. etapa - 4 unidades
·2ª. etapa - 8 unidades
O pré-dimensionamento está apresentado nas planilhas em anexo.
Da mesma forma as lagoas serão também moduladas, com uma unidade em cada etapa, para uma população de 30.000 habitantes.
No pré-dimensionamento dos reatores foi considerada uma redução de 50% na vazão de infiltração. Caso ocorra a vazão total prevista na rede coletora, haverá redução na eficiência do reator, porém o esgoto estará mais diluído, não comprometendo assim o lançamento final.
Na situação mais desfavorável o DBO5 no lançamento será inferior a 60mg/l.
ESTUDOS ECONÔMICOS
ESTIMATIVA DE CUSTOS DAS OBRAS
A estimativa de Custo das Obras foi feita de acordo com as seguintes diretrizes:
– Rede tronco
Estimativas de custo com grande precisão por terem sido elaborados os anteprojetos.
– Estações Elevatórias
Com base nos anteprojetos, com avaliação dos grandes ítens e balizamento com Estações Elevatórias projetadas anteriormente.
– Estações de Tratamento
Avaliação do custo real do módulo do RAFA (7.500hab.) e composição do custo para os diversos "lay out" propostos.
Os preços estão referenciados ao mês de Setembro/97.
Apresenta-se em anexo as Estimativas de custo do Sistema Proposto.
SOLUÇÃO PROPOSTA
DESCRIÇÃO DA SOLUÇÃO PROPOSTA
A solução proposta para o Sistema de Esgotos Sanitários de Pirapora consiste na implantação das redes coletoras, coletores-tronco, estações elevatórias, emissários e estação de tratamento, prevendo-se um sistema unificado de tratamento à jusante da cidade.
A justificativa para a construção da ETE concentrando os esgotos, a jusante da cidade, se deve aos aspectos negativos do sistema alternativo de ETE’s setoriais. Lançamentos de esgotos, mesmo tratados, a montante de áreas de recreação no Rio São Francisco, ou mesmo da captação de água da fábrica de bebidas da Antarctica, iria refletir negativamente, com prejuízos para a cidade.
ASPECTOS AMBIENTAIS
A solução de tratamento dos esgotos prevista no presente trabalho atende às exigências da FEAM relativas aos aspectos ambientais.
A utilização isolada de Reator Anaeróbio pode ser considerada também como uma possibilidade, devendo ser colocada para a FEAM para uma possível aprovação. Considerando-se a diluição dos esgotos sanitários nas águas de infiltração na rede, consideradas no cálculo, resulta uma DBO menor para o esgoto bruto, que após a passagem pelo Reator Anaeróbio, atende no limite às condições necessárias, em termos de DBO, para o efluente da ETE. Esta definição deverá ser consolidada na fase de projeto e será função dos recursos disponibilizados para a obra.
RESUMO DE OBRAS E ESTIMATIVA DE CUSTOS
Apresenta-se a seguir um resumo das obras contempladas pelo Plano Diretor em 1ª. etapa e 2ª etapa, com suas respectivas estimativas de custo.
|
1a. etapa |
2a. etapa |
|||
Bacia |
Diâmetro |
Extensão |
Diâmetro |
Extensão |
|
150
|
14.175
|
150 |
7.065
|
|
|
200
|
225
|
- |
-
|
|
|
250
|
280
|
- |
-
|
|
|
Bacia nº. 1 |
300
|
200
|
- |
-
|
|
350
|
470
|
- |
-
|
|
|
400
|
1.565
|
- |
-
|
|
|
500
|
320
|
- |
-
|
|
|
150
|
4.765
|
150 |
9.375
|
|
|
Bacia nº. 2 |
-
|
-
|
300 |
245
|
|
-
|
-
|
350 |
819
|
|
|
Bacia nº. 3 |
-
|
-
|
150 |
32.415
|
|
150
|
55.705
|
- |
-
|
|
|
200
|
1.570
|
- |
-
|
|
|
Bacia nº. 4 |
350
|
830
|
- |
-
|
|
400
|
2.410
|
- |
-
|
|
|
500
|
1.300
|
- |
-
|
|
|
600
|
2.410
|
- |
-
|
|
|
-
|
-
|
150 |
35.195
|
|
|
Bacia nº. 5.1 |
-
|
-
|
200 |
1.944
|
|
-
|
-
|
300 |
10
|
|
|
Bacia nº. 5.2 |
-
|
-
|
150 |
6.262
|
|
Bacia nº. 5.3 |
150
|
3.910
|
- |
-
|
|
Bacia nº. 6 |
-
|
-
|
150 |
4.790
|
|
Bacia nº. 7 |
-
|
-
|
150 |
5.040
|
|
-
|
-
|
150 |
50.525
|
|
|
-
|
-
|
200 |
1.575
|
|
|
Bacia nº. 8 |
-
|
-
|
250 |
340
|
|
-
|
-
|
300 |
1.365
|
|
|
-
|
-
|
400 |
2.975
|
|
|
-
|
-
|
150 |
29.980
|
|
|
Bacia nº. 9 |
-
|
-
|
200 |
670
|
|
-
|
-
|
250 |
600
|
|
|
-
|
-
|
300 |
100
|
|
| Resumo de 1ª. etapa | |
| Rede coletora / tronco da sub-bacia 1 |
784.500,00
|
| Rede coletora / tronco da sub-bacia 2 |
178.000,00
|
| Rede coletora / tronco / emissário da sub-bacia 4 |
3.029.000,00
|
| Rede coletora da sub-bacia 5.3 |
146.500,00
|
| Estação Elevatória nº. 1 |
266.000,00
|
| Estação Elevatória nº.2 |
39.000,00
|
| Estação Elevatória nº.6 |
50.000,00
|
| Estação Elevatória Final |
195.000,00
|
| Sistema de Tratamento (Reatores+Lagoa) para 30.000 habitantes |
498.000,00
|
| Sub-total |
5.186.000,00
|
| Eventuais (10%) |
518.600,00
|
|
|
|
| Resumo de 2ª. etapa |
|
|
|
|
| Rede coletora da sub-bacia 1 |
269.500,00
|
| Rede coletora / tronco da sub-bacia 2 |
434.500,00
|
| Rede coletora / tronco da sub-bacia 3 |
1.202.000,00
|
| Rede coletora / tronco da sub-bacia 5 |
1.681.000,00
|
| Rede coletora / tronco da sub-bacia 6 |
181.000,00
|
| Rede coletora / tronco da sub-bacia 7 |
187.000,00
|
| Rede coletora / tronco da sub-bacia 8 |
2.411.000,00
|
| Rede coletora / tronco da sub-bacia 9 |
1.194.000,00
|
| Estação Elevatória nº. 1 |
375.500,00
|
| Estação Elevatória nº.2 |
87.500,00
|
| Estação Elevatória nº.3 |
55.000,00
|
| Estação Elevatória nº.4 |
92.000,00
|
| Estação Elevatória nº.5 |
43.500,00
|
| Estação Elevatória nº.7 |
77.000,00
|
| Estação Elevatória nº.8 |
31.500,00
|
| Estação Elevatória nº.9 |
128.000,00
|
| Estação Elevatória Final |
195.000,00
|
| Sistema de Tratamento (Reatores+Lagoa) para 30.000 habitantes |
477.500,00
|
| Sub-total |
9.122.500,00
|
| Eventuais (10%) |
912.250,00
|
|
Total
|
R$10.034.750,00
|
| Das obras de 1ª. etapa foram identificadas também as obras de implantação imediatas listadas a seguir.
|
|
| Rede coletora / tronco da sub-bacia 1 (30% do total) |
235.000,00
|
| Rede tronco / emissário da sub-bacia 4 (15% do total) |
454.000,00
|
| Estação Elevatória nº. 1 |
266.000,00
|
| Estação Elevatória Final |
195.000,00
|
| Sistema de Tratamento (Reatores+Lagoa) para 30.000 habitantes |
498.000,00
|
| Sub-total |
1.648.000,00
|
| Eventuais (10%) |
164.800,00
|
|
Total
|
R$1.812.800,00
|







